Energia das águas termais (geotérmica) ainda é pouco desenvolvida, apesar de enorme potencial do arquipélago nipônico
Com
a maioria das usinas nucleares paradas devido ao terremoto e
tsunami que devastaram o país em março do ano passado, o Japão tem
um grande desafio de encontrar opções de fontes de energia
substitutas para atender a sua matriz. Nessa busca, as renováveis e
limpas ganham espaço, ao lado do gás natural, considerado fonte de
transição entre a energia suja e a sustentável.
Nos
próximos quatro anos, o governo nipônico planeja construir centrais
de energia solar e eólica que vão acrescentar mais de dois milhões
de kilowatts à capacidade de geração do país, o equivalente à
eletricidade produzida por dois reatores nucleares. Somente de
centrais solares são mais de 110 unidades sendo erguidas com
uma capacidade de pelo menos 1.000 kilowatts cada uma, que
contribuirão para gerar no total mais de 1,3 milhões de kilowatts.
Já no setor de eólicas, está prevista a construção de 20 centrais
com uma capacidade total de cerca de 750 mil
kilowatts.
Apesar
desses investimentos, especialistas não acreditam em um forte
potencial japonês para essas duas fontes. No lado da fonte dos
ventos, a razão é a característica da costa japonesa, em grande
parte íngreme, com freqüente mudança das direções do vento e
numerosas ocorrências de tufões todo o ano. No lado da geração
solar, as centrais são consideradas caras demais e relativamente
ineficientes na "Terra do Sol Nascente".
Energia geotérmica
A
energia geotérmica é a grande aposta dos especialistas. Assentado
sobre uma região vulcânica, o "Círculo de Fogo do Pacífico", o
Japão tem várias erupções de águas quentes, que servem para os
banhos termais e para as usinas geotérmicas. Ainda há poucos
exemplares desta fonte no país tanto porque a maior parte das áreas
potenciais para alocação das usinas são classificadas como de
proteção ambiental quanto porque a energia nuclear sempre foi
vendida a preços muito maisem conta. Deacordo com relatório do
Citigroup, o Japão é o terceiro país do mundo com o maior potencial
geotérmico, ficando atrás dos EUA e Indonésia.
Com
vantagens em relação à eólica e solar, a energia geotérmica é uma
fonte estável, não sendo afetada por padrões meteorológicos
imprevisíveis. Dependendo das condições geológicas, seu custo a
longo prazo pode ser menor, por exemplo, que o do carvão. A partir
do momento que as reservas são confirmadas e uma usina de energia é
construída, o vapor que move as turbinas da usina é virtualmente
gratuito.
Ao
contrário das geotérmicas, as termelétricas a carvão são bastante
usadas no país e aumentaram sua participação após o desligamento em
massa das nucleares. Da mesma forma, o país passou a consumir mais
petróleo e gás natural. O gás é considerado energético
intermediário dos combustíveis sujos e os limpos, por liberar menos
gases tóxicos que os demais combustíveis fósseis.
De olho no gás natural
Vários
projetos a gás natural estão sendo estudados em complementaridade
às fontes sustentáveis, dois deles em parceria com a Rússia. Os
dois países estão discutindo a criação de um gasoduto para aumento
do fornecimento de gás natural russo, que viria a partir da maior
produção de GNL (gás natural liquefeito) naIlha Sakhalina e da
implementação de uma usina também de GNL em Vladivostok, ambas as
regiões no extremo oriente russo.
Paralelamente
ao contato com os russos, o governo japonês está de olho no
shale gas(gás de folhelho) norte americano. Nos
últimos anos, os EUA deslancharam na tecnologia para extração deste
insumo e conta com enormes reservas. Por isso, já conta com
produção bastante elevada de shale gas, tornando a nação
mais rica do mundo auto-suficiente em gás natural e um possível
exportador. Embora ainda não haja garantias de exportação, os
japoneses estão sondando os norte-americanos, até pouco tempo
grande importador de GNL. O Japão é o maior consumidor de gás
natural liquefeito do mundo e possui o maior número de terminais de
regaseificação de GNL.
Dificuldades para cumprir Kyoto e interromper
nucleares
Com
o aumento do consumo de combustíveis fósseis, o Japão terá
dificuldades de cumprir com os objetivos acordados no Protocolo de
Kyoto. Outra dificuldade vai ser parar de usar as usinas nucleares
em período curto de tempo. As últimas usinas foram desligadas
no mês passado, mas dois reatores deverão ser religados devido à
chegada do verão, quando o consumo de energia atinge seu ápice. O
primeiro ministro japonês já avisou que o país seguirá dependente
da nuclear até, pelo menos, 2030.
